Mangaba

Mangabas trazidas pelo meu pai da safra de novembro de 2015.
Mangabas trazidas pelo meu pai da safra de novembro de 2015.

O que seria de nós adultos se não fossem as nossas referências da infância?

Como já falei aqui no post anterior, aproveitei bastante a minha fase de criança com diversas brincadeiras de rua. Além das brincadeiras, os cheiros e gostos também foram importantíssimos para minha formação, e um cheiro e gosto que amo e me é familiar vem da fruta mangaba. Eu conheci essa fruta através do meu pai quando estávamos de férias na casa da minha avó paterna, na cidade de Estânica município do estado de Sergipe.

A árvore mangabeira (Hancornia speciosa) é nativa do Brasil e natural da Caatinga, Restinga e do Cerrado, sua distribuição se concentra mais na região do Nordeste. No entanto, ela é encontrada em maior quantidade na terra do meu Pai, no Estado do Sergipe, tanto é que a árvore mangabeira é considerada símbolo do Estado. Diversas cidades de Sergipe obtêm suas rendas com a colheita da fruta que ocorre de novembro a junho. Do fruto podem ser produzidos: sucos, bolos, licores, vinhos, xaropes, geleias, mousses, pudins, sorvetes e o que sua imaginação criar.

Não é só porque me remete a infância que eu gosto tanto da mangaba, ela é realmente divina, fato é que seu nome em tupi guarani significa “coisa boa de comer”. Ela tem um gosto doce com um toque azedinho no final. Fora o sabor incrível, essa fruta é riquíssima em vitamina C e se já não bastasse tudo isso, o látex que é produzido do tronco e das folhas da árvore da mangaba tem poderes medicinais como na melhora de fraturas, herpes, Tuberculose e da úlcera.

Como vocês podem ver na foto acima, o fruto da mangabeira é amarelinho com manchas vermelhas. As mangabas podem ser colhidas de duas formas. A primeira é direto do pé, devendo-se as enrolar em um jornal e aguardar dois dias, aproximadamente, para o seu amadurecimento e consumo. A segunda forma é as colher direto do chão, sendo chamadas de “mangabas de “caída”; essa forma de colheita é a mais valorizada e gostosa, pois depois de quatro horas já está molinha e pronta para o consumo. Eu presencie na infância uma “chuva de mangaba“ e foi uma das coisas mais lindas que eu vivi.

Quem quiser plantar a árvore da mangaba deve saber que a semente tem que estar fresca e molhadinha, ser plantada em solo arenoso e bem drenado. Como os solos arenosos são pobres em nutrientes não se faz necessário adubar e tão pouco irrigar com muita frequência, pois essa espécie é adaptada a locais muito quentes e com escassez de água. Após cinco anos do plantio ela começará a dar frutos.

Bom pessoal, é isso, espero que todos experimentem a mangaba quando visitarem Sergipe ou outros estados do Nordeste.

Obs.: as informações da fruta mangaba foram fornecidas pelos meus familiares de Estância-SE e por consulta a dados de bases científicas.

Inga laurina (ingá branco)

Árvore Inga Laurina

Minha infância foi maravilhosa, muitas brincadeiras de rua, minha querida queimada e claro também teve a brincadeira de subir nas árvores.

Eu tinha uma em especial, ela não era e ainda não é muito comum, mas a minha primeira e querida árvore foi o ingá branco (Inga laurina). Curioso é que o ingá não é o fruto mais comentado por aí, o mais normal é escutar as pessoas falarem que na sua infância apanhava frutas como: manga, jaca, fruto do conde, carambola, entre muitas outras.

Onde morei por quase toda a minha vida não tinham essas árvores na rua, mas tinha o ingá. O fruto do ingá é muito atrativo para os morcegos, mas para nós, seres humanos não muito.

Não sei o que me fez gostar do ingá, talvez pelas sementes serem ensopadas, envoltas por uma deliciosa polpa, que lembra um algodão molhado.

O ingá é uma árvore muito coringa, aguenta alagamentos e está presente em diversos ecossistemas brasileiros, como: Floresta Atlântica, caatinga, cerrado e na restinga.

Apesar das literaturas descrevem a frutificação do ingá branco entre os meses de novembro a março, sabe-se que a frutificação depende de fatores externos, como temperatura, chuvas e qualidade do solo. Mas se quiser experimentar o ingá, busque entre os meses de novembro a maio que será garantido.

Na minha rua era sempre no mês de maio, eu e a criançada subia nas árvores do ingá branco, e saíamos de sacolas cheias. E mesmo assim, sobrava muitas para os morcegos. É por momentos simples como esse, que me fazem lembrar a minha infância com muito carinho.

Por fim, conte-me através do e-mail contato@pitangaamarela.com.br, qual é a sua árvore?

Árvore: a razão da nossa existência

Árvore: a razão da nossa existência

Sabe o que nos mantém vivos?

A fotossíntese! É isso mesmo, pois é ela que produz os açúcares e libera o oxigênio como subproduto essencial para a vida de todos os seres, inclusive o nosso. É claro que as plantas não são importantes somente por esses dois fatores. Há outros como alimento, vestuário, madeira, medicamento, a própria água e uma infinidade de outras coisas.

Cabe ressaltar que não são só as plantas que fazem a fotossíntese, mas também as algas e algumas bactérias, porém em proporções muito menores.

Tudo que as árvores são e nos fornecem hoje é resultado de um longo processo da evolução. Sobre esse processo, acredita-se que todos os seres vivos vieram de um único ancestral comum, e que possivelmente tratava-se de um micróbio com DNA da mesma forma como acontece até os dias de hoje com os fungos, plantas ou animais.

As plantas iniciaram no ambiente aquático (assim como muitos dos seres vivos) e com o passar de milhares de anos foram migrando para o ambiente terrestre, possivelmente porque a água limita a penetração da luz e a concentração de CO2, fatores importantes para a fotossíntese.

Entretanto, a mudança de ambiente não foi uma tarefa fácil, afinal, na água as plantas não necessitavam de estruturas, ao contrário do ambiente terrestre, que exigiu adaptações. Por exemplo, uma estrutura para fixar-se ao solo possiblitando a captura de água e sais minerais, e outra aérea para a realização da fotossíntese. A partir dessas adaptações, foram surgindo uma complexidade de estruturas, como a ramificação dos galhos, um tronco principal para o transporte dos sais minerais, folhas e muitas outras que estão até hoje em constante evolução.

As primeiras a migrarem para terra foram certamente as briófitas, conhecidas por muitos como musgo, aquele verdinho fixado nas rochas que já fizeram os mais desatentos escorregarem e caírem. Muita gente não sabe, mas ao analisarmos as briófitas com uma lupa por exemplo, vemos uma verdadeira floresta, com os seus talos, folhas e suas estruturas fixadoras. Após as briófitas/musgos, podemos dizer que vieram as pteridófitas sendo representadas pelas belas samambaias, gimnospermas tendo como um de seus representantes os pinheiros e por último as angiospermas representadas pelos espécimes que produzem flores e frutos.

É extraordinário que dentro de uma floresta tropical, existe todas as etapas desta evolução, e o Brasil mesmo sendo a maior diversidade do planeta terra não trata de forma respeitosa e zelosa nossos ecossistemas.

Depois desta pequena introdução sobre a evolução da plantas, espero que o proverbio “quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, o homem irá perceber que dinheiro não se come (Greenpeace)” não se torne realidade e possamos enxergar a importância da natureza e das árvores antes que seja tarde.

Viva o dia da árvore!

Referências

  • H. Lorenzi & E. G. Gonçalves. Morfologia Vegetal. Editora Plantarum. Segunda Edição, 546p.
  • P. H. Raven; S. E. Heichhorn; R. F. Evert. Biologia Vegetal. Editora Guanabara Koogan. Oitava Edição, 876p.