Cereja-do-rio-grande (Eugenia involucrata)

Hoje falarei sobre a cereja-do-rio-grande (Eugenia involucrata), mais uma fruta nativa representante da família Myrtaceae.

Quando pensamos em cereja, com certeza nos vem à mente a cereja comum presente nas festas de fim de ano (Prunus avium); o que muitos não sabem é que existem outras cerejas nativas do Brasil, e que são tão saborosas quanto a cereja-do-rio-grande, assunto deste post.

O que mais chama atenção dessa espécie é a delicadeza de sua árvore e a beleza de seu fruto, que é lindíssimo, gostoso e apresenta um leve sabor de azedo. É atrativo tanto para a fauna quanto para nós seres humanos. É delicioso em diversas preparações: in natura, geleia, compota, musse, bolo, suco e tudo mais que a criatividade nos permitir. O tamanho do fruto varia de 4 a 6 cm e pode apresentar vários formatos. Os que pude constatar na época que trabalhava com produção de mudas nativas, foram os seguintes: periforme, alongado e arredondado. A cor do fruto é uma beleza à parte, pois alterna entre vermelho e vinho escuro, além de possuir um brilho incrível.

Fruto no início do amadurecimento

A sua árvore possui tronco liso, descamante, assim como a maioria das espécies da família Myrtaceae, já a coloração de seu tronco varia entre o cinza e a terracota, e o que determina essa cor são os componentes do solo e a incidência de luz (quanto mais luz incidente mais claro será o tronco).

A copa da árvore geralmente é arredondada, com folhas simples e opostas (lembra as folhas da pitanga). Ainda com relação às folhas, estudos apontam para sua ação antioxidante, além do seu uso medicinal, indicados para tratar problemas digestivos e inflamatórios. As flores são brancas e com quatro pétalas, que geralmente aparecem no mês de setembro, concomitantemente com o surgimento das novas folhas, após as velhas caírem no inverno. A polinização ocorre por mamangavas e abelhas; aliás, nos meus tempos de viveiro pude observar muitas mamangavas ao redor dessa árvore.

A cereja-do-rio-grande pode atingir até 15 metros de altura, porém, como é uma espécie secundária tardia (de crescimento lento), levará anos para atingi-la. Por essa razão, é muito indicada em paisagismo, calçadas, quintais, pomares e reflorestamento. Por ser nativa da Mata Atlântica, é de extrema importância que seja plantada em restauração ecológica e reflorestamento, sempre intercaladas com outras espécies pioneiras.

Gostou da cereja-do-rio-grande? Se sim, abaixo seguem as especificações para o plantio e germinação:

  • Solo: Rico em matéria orgânica (esterco curtido/húmus) e com boa umidade.
  • Semente: Colher quando o fruto estiver bem maduro, retirar a casca e plantar a semente direto em Tubetão, saquinho ou em vaso. Pode ser armazenada por poucos dias (até 3 dias no máximo), pois não tolera perda de umidade; Após estiver com uma altura mínima de 50 cm, poderá plantar no local definitivo.
  • Germinação: 30 a 50 dias após o plantio.
  • Sol: Pleno ou meia sombra.
  • Crescimento: Lento (Secundário Tardio). Geralmente leva de um a dois anos para atingir os primeiros 50 cm.
  • Altura: 5-15 metros,
  • Distribuição: Sul e Sudeste do país, natural da mata atlântica.

Referências:

Lorenzi, H. 2002. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil. Instituto Plantarum Ltda. Nova Odessa, São Paulo. 4 ed. vol. 1, 368 p.

Degenhardt, J., Franzon, R. C., & da Costa, R. R. 2007. Cerejeira-do-mato (Eugenia involucrata). Embrapa Clima Temperado. Pelotas, Rio Grande do Sul. 1 ed. 22 p.