Araçá-amarelo e vermelho, os frutos saborosos da Mata Atlântica!

A foto mostra uma muda jovem de 1,20 de altura de araçá-amarelo, com troco alaranjado, folhas simples, na coloração verde simples e cheia de frutos amarelos redondos.

As frutas já amplamente conhecidas – pitanga, goiaba e jabuticaba, possuem um espaço considerável nos quintais das casas brasileiras. Pode-se afirmar que o araçá-amarelo (Psidium cattleianum) e o vermelho (Psidium cattleianum var. purpureum), assim como as frutas citadas, estão entre as espécies mais populares da família Myrtaceae.

O araçá-amarelo é nativo do bioma Mata Atlântica e habita, principalmente, as florestas de planícies como as restingas e vegetação de praias. Em todo o litoral, desde o estado do Ceará até o Rio Grande do Sul, seus espécimes ocorrem de forma espontânea. Nos estados do nordeste brasileiro, acima do Ceará, como Piauí e Maranhão, também são possíveis encontrá-los, ainda que em menor quantidade. O araçá-vermelho, que também pertence ao bioma Mata Atlântica, tem a sua formação natural na Floresta Ombrófila Mista, inserida nos Estados de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul.

Características

Tanto o araçá-amarelo quanto o vermelho podem se desenvolver na forma arbórea ou arbustiva. O crescimento do araçá-amarelo pode chegar a nove (9) metros, e o do vermelho pode ultrapassar os 11 metros.

O tronco dos araçás se assemelha ao da goiabeira, descamam como a maioria das espécies da família Myrtaceae, são lisos e parcialmente alaranjados; o tronco do araçá-amarelo mais claro em relação ao vermelho.

O araçá-amarelo tem as folhas verdes, opostas, simples e brilhantes, semelhantes às folhas de grumixamas (outra espécie irmã dos araçás). Ainda, suas folhas possuem glândulas translúcidas, isto é, são possíveis de serem visualizadas quando postas contra a luz. Essas glândulas, que podem ser uma célula ou um conjunto de células, têm a função de armazenar ou segregar óleos e outros produtos. No caso dos araçás, por estarem geralmente próximos ao mar, precisam utilizar as glândulas também para expelir o excesso de sal trazido pelos borrifos do mar.

A foto mostra uma muda com 80 cm de altura, com suas folhas simples, verdes e brilhantes.
Muda de araçá-vermelho medindo 80 cm de altura.

O araçá-vermelho difere do araçá-amarelo na coloração da folha porque as suas são no tom verde mais escuro.

A foto mostra folhas verdes, finas e pequenas. Entre elas, flores brancas que lembram um pompom
Flores do araçá-amarelo.

As flores de ambos são solitárias e brancas, aliás, a cor branca é a mais comum nos representantes desta família.

O fruto do araçá-amarelo é do tipo baga (possui várias sementes), globoso e liso. Em contrapartida, o fruto do araçá-vermelho é menor e com formato subgloboso, ou seja, um pouco mais achatado. Ambos os araçás podem apresentar também frutos em formato piriforme.

A foto mostra às folhas verdes, simples e alongadas e os frutos amarelos redondos do araçá-amarelo.
Frutos do araçá-amarelo de um espécime de 2 metros de altura.
A foto mostra uma mão segurando um fruto de araçá-amarelo, bem redondo, medindo 4 cm de diâmetro.
Fruto do araçá-amarelo medindo 4 cm de diâmetro.

Plantio

O araçá não é exigente em relação ao solo, pois esta autora já obteve bons resultados, recentemente, no plantio de mudas com pelo menos um (1) metro de altura, em áreas alagadiças, secas, com pouca ou nenhuma adubação. Além disso, em plantios de recuperação florestal, essa espécie suportou as duas últimas geadas ocorridas no ano passado (2021). Prefere o sol pleno ao sombreamento, mas este fator não impede seu crescimento, porém, pode acarretar em um crescimento mais lento.

É evidente que plantios com solos mais adubados, principalmente com adubo de esterco de galinha, folhas secas provenientes de florestas, tornam o solo mais saudável, o que acelera o crescimento e consequentemente a floração e frutificação do araçá.

Um fator importante é o tempo de armazenamento das sementes, pois o ideal é plantar até dois dias após a colheita, em razão da perda rápida do poder germinativo. Pode ser plantado em bandejas de sementes, tubetes ou saquinhos. O mais importante é deixar um solo leve, cobrir as sementes com uma fina camada de terra e por último a rega. Uma dica importante é misturar na terra o mineral vermiculita, que contribui para a retenção de líquido, areação do solo, fatores esses muito importantes que ajudam a não compactação do solo e facilitando assim a germinação.

Já para as mudas jovens o ideal é abrir um berço mais profundo, para que as raízes possam se fixar melhor e absorver mais os nutrientes, dando assim maior proteção a elas. Além do plantio poder ser realizado em áreas de florestas, nas bordas das mesmas e em áreas secas, é possível também em áreas com incidência de alagamentos esporádicos. Para esses locais, indica-se o plantio na forma de montículos, que consiste em fazer um “morro” de terra adubada para que dessa forma as raízes possam ter menos contato com o acúmulo de água, isso, pelo menos nos primeiros anos do plantio.

A foto mostra uma pessoa de calça jeans, botas pretas de plástico e camisa rosa que está segurando a enxada que está afofando um monte de terra, nela contém um muda, mas só é possível ver o tronco. de cor marrom claro. Essa técnica chama "montículo".
Plantio com a técnica de montículos.

A floração ocorre de outubro a dezembro e a frutificação ocorre entre os meses de janeiro e março, sendo o último mês o ápice da frutificação. Cabe lembrar que nos primeiros anos a frutificação poderá ocorrer em meses diferentes dos citados, uma vez que fatores ambientais podem antecipar ou atrasar a floração e frutificação.

Usos

O fruto é uma delícia, uma mistura de sabor doce com um toque azedinho ao final da mordida. É de fácil consumo, por não ser muito grande; basta colher e comer, com uma ou duas mordidas já são o suficiente para saboreá-lo por inteiro. Também é indicada a sua utilização em doces de todos os tipos, como bolos, tortas, geleias, sorvetes, e tudo mais que a sua imaginação criar.

Triste Realidade

Apesar do Brasil ser o país de maior biodiversidade, ainda, as frutas exóticas são mais populares que as nossas frutas nativas. O cultivo inexpressivo entristece e nos empobrece culturalmente, tirando não somente a chance de experimentar nossas frutas, mas também como diz na música do Djavan: “semente nativa germina bem à vontade”. De fato, nossas frutas nativas se desenvolvem de forma mais natural, necessitando menos intervenções.

Dessa forma, quem puder plante no seu quintal ou inclua nos seus projetos de reflorestamento, assim, alimentará a avifauna, que por consequência dispersará as sementes, o que contribuirá na perpetuação das espécies.

Referências

Sampaio, D; Souza, V, C; Oliveira, A, A; Paula-Souza, J; Rodrigues, R, R. 2005. Árvores da Restinga: guia ilustrado para identificação das espécies da Ilha do Cardoso. Editora Neotrópica, São Paulo, 277p.

Lorenzi, H; Lacerda, M, T, C; Bacher, L, B. 2015. Frutas no Brasil nativas e exóticas: (de consumo in natura). Instituto Plantarum de Estudos da Flora LTDA. Nova Odessa, São Paulo, 768 p.